Suficiente.

[Atenção: Diferente da maioria dos textos desse blog, esse não é uma poesia ou poema, então não tentem encaixar/procurar rimas ou links entre um verso e outro. Estou tentando postar coisas mais íntimas, mas, da minha forma de escrever. Afinal, isso aqui começou para ser um diário, né?]





Você sempre reclamou que eu ficava na defensiva demais, mas, nunca me deixou aprofundar-me nos teus limites, no teu eu interno e no teu caos. E essa é a maior verdade sobre você: Você é um caos, teus lábios tinham gosto de destruição, e, ainda assim, eu me permiti ficar um pouco mais do que deveria.
Eu sentia teus cacos cortando-me por inteira, mas, mesmo assim, eu fiquei. Fiquei pois achava que qualquer coisa que viesse de ti, seria melhor do que partir. E, mesmo com vários hematomas, eu fiquei. Mas, nunca era o suficiente. Eu nunca te fui suficiente.
Você reclamou que eu apressava as coisas demais, mas, quando eu recuava, tu me puxava de volta. E eu, não sei bem o motivo, mas sempre voltava.
Mas os band-aids não conseguiam mais disfarçar os cortes, e, a maquiagem não escondia tantas lágrimas. Eu não queria promessas ou um relacionamento clichê daqueles que eu tinha vivido antes, e, sabia que não daria certo.
Eu só queria você, sem todas essas máscaras e armaduras que você usava pra se defender ou se esconder de sei lá o que. Provavelmente, de você mesmo e desse papel ridículo de cafajeste solitário, que você adorava fazer.
Eu tentei te conhecer. Tentei mostrar que você podia se abrir comigo, sem medo. Que eu seria tua amiga, se assim tu precisasse. Que eu sei dar colo, abrigo, e, assoprar os machucados. Mas, quanto mais eu fazia tudo isso, mais tu me machucava.
Eu não era suficiente, né? Nunca fui. Não sou parceira, não sei dividir, não sou compreensiva. É, eu lembro de todas essas tuas palavras. Uma pena, você não me deixou mostrar metade do que eu realmente era. Tirou por meia dúzias de palavras na internet, e, por coisas que eu nunca fiz. Julgamentos. Meus e seus.
Eu errei. E sei disso. Mas, eu tinha tanto medo. Poxa, você me conhecia. Você sabia dos meus traumas recentes, do meu medo, e, da minha mania de ser intensa demais.
Mesmo assim, não era suficiente. Eu fiquei na defensiva, mas, você também. Não venha me dizer que falava que gostava de mim. Palavras não gostam de ninguém. Você era cheio delas. Mas, como sempre, não eram o suficiente.
Então, eu resolvi ir embora. Dois dias depois de dizer que eu gostava, sim, de você. Eu fui embora. Talvez, isso tenha te confundido, ou, talvez, você nem se importe com isso. Não sei. Nunca vou saber. 
Não fui o suficiente pra te mostrar como é ser bom, ou, quem sabe, se entregar de novo. Não fui o suficiente pra ser tua amiga ou saber quem você realmente é de verdade.
Não fui o suficiente pra catar teus cacos e ajudar a cola-los.
E, agora, estou tendo que ser suficiente, para, mesmo sangrando e com tantos cortes, tirar esses band-aids, a maquiagem, as armaduras e a máscara. Eu não quero mais ser personagem desse teu teatro e muito menos ser mais uma peça do teu jogo.
E, veja bem, baby, se eu não fui suficiente pra te dar amor, também não vou ser cúmplice do teu ódio.
Até um dia, ou, quem sabe, até tu conseguir não se afogar no seu ego barato e sentimento raso.
Até lá, tratarei de ser suficiente, apenas para mim. 
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''Decreta-se que nada será obrigado nem proibido, tudo será permitido, inclusive brincar com os rinocerontes e caminhar pelas tardes com uma imensa begônia na lapela. Só uma coisa fica proibida: amar sem amor.'' :)