Muito Mais




Eu sou muito mais que alguns beijos intensos sobre o meu colchão, enquanto você me deita na minha pequena cama.
Sou muito mais que o toque da pele que arrepia, a puxada de cabelo, o gosto, o gozo, o fogo.
Mas, você nunca quis ver isso.
Sou o abraço quente nos dias frios, os conselhos doces, o cafune no fim da tarde, a risada escandalosa depois de pular o muro da timidez, o olhar que perdoa.
Mas, você nunca quis ver nada disso. Tudo bem, não é culpa sua.
Eu só te mostrei meu pior lado. Um lado que veio depois de uma desilusão, cheio de feridas expostas. Te mostrei apenas meu lado amargo, você nunca experimentou meu lado doce. Apenas o grosseiro e o insensível.
Mas, verdade seja dita, você também nunca tentou ver o outro lado, o além do corpo, além da boca. E veja bem, não é culpa sua. Eu me entreguei rápido demais, e, talvez, só consegui entregar isso.
Acho uma pena que você nunca vai me conhecer como sou intensa e louca, mas, tudo bem. Você nunca quis isso. Não de mim. Quis de outra pessoa. E tá tudo bem. Não é culpa sua.
Você tem razão em dizer que sempre deixou as coisas claras. Eu que fechei os olhos. Me apeguei a umas palavras bonitas ditas pelo Whatsapp, uns elogios mais voltados ao meu corpo, ou quando você pegou na minha mão. Não é culpa sua. Você nunca viu isso, mas eu também me entreguei fácil demais a você, nem sei o motivo. Talvez carência. Não sei. Mas, nunca quis te comparar a alguém ou te culpar.
De verdade. Vai por mim. Eu já me culpo todos os dias, não preciso culpar ninguém. E, jamais compararia você. E você sabe bem o motivo.
Mas, o que eu acho uma pena, de verdade, é que, eu sou muito mais, talvez, até pra você. Mas nunca vou ser mais do que pele a pele, tato, físico.
Nunca vou ser ela.
E é triste saber, que isso, você sabe bem.
Mas, não é culpa sua.
Eu sou muito mais, realmente.
Mas, infelizmente, nunca fui pra você.




(Tudo bem, eu sei lidar com isso. Um dia, a culpa de tudo que falei deve me deixar em paz. Espero)
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''Decreta-se que nada será obrigado nem proibido, tudo será permitido, inclusive brincar com os rinocerontes e caminhar pelas tardes com uma imensa begônia na lapela. Só uma coisa fica proibida: amar sem amor.'' :)