Infinito.


Certa vez, numa viagem que fiz pra praia, li em um outdoor bem de frente ao hotel que estava: O que é infinito para você?
 E aquela frase ficou na minha mente pelo mês inteiro que alí fiquei.
"Mas, afinal, o que é infinito para mim?"
 Pensei.
Pensei por horas.
Por dias.
Tudo que me parecia infinito...Teve um fim.
(...)
A música acabou.
O cigarro apagou.
O café esfriou.
A voz, enfim; se calou.

(...)
A viagem chegou ao fim.
O dinheiro acabou.
A dor sumiu.
O coração, enfim; se congelou.

(...)
Novamente, não tinha uma resposta.
Tudo é finito, conclui.
(...)

Fechei os olhos.
Ao abrir, encontrei os teus. 

Me encontrei no teu abraço.
Me perdi nos teus lábios.

(...) 
A música já estava no repeat.
O cigarro - antes apagado - era símbolo de um fogo ardente.
O café quente era pouco - uma xícara apenas - que com mãos tremulas o dividiam para dois.
A voz, ardente; não queria mais calar.

(...)

Foram compradas novas passagens.
Com aquele dinheiro escondido - guardado na gaveta empoeirada -.
A dor continuará inerte.
O coração; enfim; queimava novamente,

(...)
O que é infinito para você?

(...)
O infinito é aquele abraço demorado.
O infinito é aquele beijo roubado.

Assim; hoje tenho uma resposta.

Talvez, sim, tudo seja finito.

 
Dure o tempo que durar.
Até a próxima música.
Até o próximo cigarro.
Até o próximo abraço; beijo e afins.

(...)
Pausadamente, dou um suspiro.

(...)

Hoje eu sei responder o outdoor:

A única coisa que continua infinita é o amor.

 



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''Decreta-se que nada será obrigado nem proibido, tudo será permitido, inclusive brincar com os rinocerontes e caminhar pelas tardes com uma imensa begônia na lapela. Só uma coisa fica proibida: amar sem amor.'' :)