Café, Legião Urbana e um novo amor - Não se nega a ninguém -.




''Todos os dias quando acordo não tenho mais o tempo que passou, mas tenho muito tempo, temos todo o tempo do mundo(...)"

Quando o despertador tocou ás 5:55am, Amanda já estava acordada, e deitada continuava, olhando o teto do seu escuro quarto á imaginar sobre o que podia esperar daquele dia... Olhou para o lado da imensa cama de casal, hoje vazia. Faltava algo alí, e ela sabia bem. Faltava aquele alguém. 

"(...) Veja o sol dessa manhã tão cinza, a tempestade que chega é da cor dos teus olhos castanhos(...)"

Não tão distante dalí, outra pessoa também não tinha dormido. Com olheiras arroxeadas em torno dos seus olhos, Renato observava aquela foto na cabeceira da cama. Ela tinha ido embora, sem volta. Ele sabia. Não era como se ela tivesse ido ali na sorveteria e logo estaria de volta.  Aquele maldito acidente tinha á levado para longe dele para sempre. E ele sabia. Sabia que jamais veria novamente olhos castanhos tão dóceis.

 "Tenho andado distraído, impaciente e indeciso. E ainda estou confuso, só que agora é diferente; sou tão tranquilo e tão contente(...)"

Embora não quisesse, Amanda sabia que teria que encarar mais uma rotina entediante. "Encarar a vida de frente", mesmo agora parecendo impossível. Era a hora da linda mariposa mostrar-se ao mundo e sair do seu confortável casulo.

"Quem um dia irá dizer que existe razão, nas coisas feitas pelo coração? E, quem irá dizer que não existe razão?(...)"

Naquela mesma avenida larga, onde Renato, de cabeça baixa observada o ladrinho da calçada e Amanda, apressada com suas milhares de sacolas e pastas cruzavam...E, assim, em fração de segundos, num simples deslize dos dois, "bateram" de frente um ao outro. Fazendo todas as pastas e sacolas de Amanda voarem...E os pensamentos de Renato desaparecer.

- Ai, meu Deus! Meus documentos! Minhas sacolas...Ah não! Acabei de comprar sapatos novinhos da Chanel, e eles estão encharcados naquela poça nojenta com minhas sacolas. Qual é a sua garoto, não olha por onde anda, não? - Amanda falou irritadíssima -
- Desculpe. Não a vi. - Renato dizia enquanto entregava todos os papeis e sacolas molhadas á garota -.
- Percebi. 
- Já pedi perdão. Não estava com a mente aqui.

Foi quando os olhos dos dois finalmente se encontraram... Ela, pode ver o sofrimento de toda sua alma atrávez daqueles óculos embaçados da fina neblina. E ele? Bem, ele jamais em sua vida teria visto olhos pretos tão dóceis e encantadores como aqueles.

"(...)Sei que ela terminou o que eu não comecei, e o que ela descobriu eu aprendi também(...)"

- Posso oferecer um café? - Ele disse ainda encantado com aquele olhar -
- Não.
- Por favor. É só um café. Considere uma maneira de pedir desculpas.
- Bom, se é assim, tudo bem.

[...]

Foram á uma lanchonete pequena de bancos vermelhos e vidros transparentes alí perto. Na tal, tocava uma música bem peculiar: Pais e filhos, de Legião Urbana.

"(...) É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar pra pensar, na verdade não há(...)"

Sentaram. Pediram um cappucino simples. E, para quebrar todo o silêncio, Renato resolveu falar.

- Bem. Nem sequer me apresentei. Me chamo Renato. E você?
- Amanda. Prazer. 
- O prazer é todo meu. Então, o que faz da vida?
- Faço um curso de moda. E você?
- Hm, interessante. Sou escritor. Namora?
- Não. Meu último namorado saiu de casa á duas semanas. E você?
- Não. Minha última namorada faleceu á duas semanas...
- Desculpe.
- Está tudo bem
[...] Outro interminável silêncio [...]

- Sente falta dela? - perguntou enfim a morena, não aguentando a curiosidade que a corroia por dentro -.
- Um pouco. Você sente falta dele?
- Um pouco também.


 "(...) Me fiz em mil pedaços, pra você juntar, e queria achar explicação pro que eu sentia(...)"

Conversaram mais. E mais.
Riram. E riram muito.
Esqueceram a dor, a hora, o medo.
Tomaram café, cappucino, chá...
Conversaram ainda mais.

Ao fim, quando se despediram, se abraçaram... Não sabiam como. Quando viram, já estavam entrelaçados no braço um do outro.

"(...)Senti um abraço forte, já não era medo. Era uma coisa sua que ficou em mim, que não têm fim(...)"

Marcaram de se encontrar de novo semana que vêm.
Mês que vem.
Ano que vem.
E mais um monte de vezes.


 "(...)Porque esperar se podemos começar tudo de novo agora mesmo?(...)"

E assim foi. Se encontravam todo dia. Riam, conversavam e se sentiam bem um com outro.
E assim foi por todos os 10 anos que juntos ficaram.
E assim será para sempre.
O que aconteceu ali, talvez nenhum deles nunca saberia explicar...Mas, afinal, como já disse Renato Russo: Quem inventou o amor? Me explica por favor.

 
 
 
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''Decreta-se que nada será obrigado nem proibido, tudo será permitido, inclusive brincar com os rinocerontes e caminhar pelas tardes com uma imensa begônia na lapela. Só uma coisa fica proibida: amar sem amor.'' :)