Você não pertencia á esse mundo.






Você não pertencia á esse mundo. Eu sei bem. Seu lar nunca foi aqui de verdade.
Você era do céu, como já era tão explicito em seu lindo nome. Talvez, ele só sentiu a urgência de te levar de volta tão cedo.
Mas, você nunca foi daqui. Seu lar aqui era temporário, mãe. Sempre foi. Tudo isso aqui na terra não tinha nada á ver com você. Nenhum diamante chegaria perto da sua riqueza. 
Você era única. Parece clichê eu falar tudo isso agora, mas quem te conhecia sabe o que eu quero dizer. Seu jeito era inconfundível. 
"Uma moleca de 81 anos." Seria esse um dos jeitos de te definir. Mas você têm mais de mil e cinquenta definições, mãe. Eu nunca conseguiria listar todas num único texto tão humilde.
Você era linda. E ainda é. Uma pena que não acreditava quando eu dizia isso: Dava aquele sorriso inocente, dizia que já foi, mas passou teu tempo.
E eu te digo: Não passou e nem vai passar.
Eu sempre acreditei em anjos, desde pequena. E eu não sabia o motivo, mas os anjos dos meus sonhos sempre me pareciam igualzinhos á você.
Hoje, eu entendo.
Seu semblante era de um anjo. Sua face sempre denunciou. Seu olhar era tão puro e sereno. Seu sorriso me passava tanta paz. Um afago tão reconfortante, e um abraço, que só um ser tão angelical poderia ter. 
Você não pertencia á esse mundo, mãe. Teu lar é o límpido céu. Logo ali, entre as nuvens mais brancas e as estrelas mais brilhantes.
Você não pertencia á esse mundo. Pertencia á um enorme jardim de flores amarelas e rosas cheirando á baunilha. Ou erva doce, como na sua despedida.
Você não pertencia a esse mundo, mamãe. E é por isso que eu te digo: Seja bem vinda de volta á sua verdadeira casa, meu amor! Que Deus te receba e que você finalmente descanse como a rainha que você merece.
Eu amo você. E sempre vou amar. Prometo que olharei aí pra cima sempre para me sentir pertinho de você, dona Celeste! Minha eterna habitante desse Céu.






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''Decreta-se que nada será obrigado nem proibido, tudo será permitido, inclusive brincar com os rinocerontes e caminhar pelas tardes com uma imensa begônia na lapela. Só uma coisa fica proibida: amar sem amor.'' :)