Próxima estação: Felicidade!
Desci do trem um pouco apressada. Limpei a saia, e continuei andando. O coturno machucava um pouco o pé, mas eu estava ansiosa para encontra-la.
Na minha frente, milhões de pessoas andavam rumo ao mesmo destino. Algumas curiosas, outras impacientes, muitas, tristes e cansadas. Uma garotinha em torno de 3 anos, espiava tudo com os olhos castanhos arregalados, no colo da mãe. Parecia querer entender de onde vinha tanta gente.
Respirei fundo. O ar da cidade não era agradável, e não me lembrava em nada a cidade pequena onde eu tinha crescido. Esse céu cinza jamais deveria ter visto um céu tão azul como presenciei por noites a fio, contando as estrelas.
As pessoas continuavam seu caminho longo, mas eu resolvi descansar um pouco. Onde ela estaria? Será que não viria? Sentei num banco sujo onde um rapaz fumava distraidamente um cigarro. Será que ele a conhecia?
Não tive coragem de perguntar. Preferi pousar meus olhos na borboleta que pousou no meu ombro. Provavelmente, encantada com a pequena tatuagem ali. A admirei por alguns segundos mas não pude sequer toca-la. Ela voou antes mesmo que eu tivesse certeza que suas asas tinham detalhes cor-de-rosa. Ou seria lilás?
Olhei o relógio. Ela estava atrasada. E se tivesse acontecido algo? Dor de dente, enxaqueca, perdido a hora?
As pessoas continuavam andando sem parar. Foi quando a avistei no meio de tanta gente. Minha vontade era de cessar a multidão, gritar a todos que parassem.
"Ela veio!", exclamei feliz. Levantei-me em sua direção. Seus olhos sorriam para mim, assim como seus lábios. Corri para abraça-la.
- Pensei que não viria mais. - disse -
- Como não? Eu sempre estive aqui.
- Oi? Não, não é possível. Estou aqui já faz bastante tempo e você só apareceu agora.
Ela sorriu. Senti seus dedos levemente me fazendo um cafuné.
- Não, Nina. Eu sempre estive aqui. - ela pôs sua mão em meu peito como se apontasse para o meu coração - Você que nunca me vê, está sempre ocupada demais.
- Mas...
- Eu nunca vou embora. Estou sempre com você. Sou uma parte sua. Assim como sou uma parte de todo mundo.
- Mas, felicidade...Faz tanto tempo que não te sinto mais. Que ninguém te sente. Já colocaram anúncios no jornais, criaram fórmulas secretas, e nada de você por aqui...
- É que eu sou esperta. Gosto de aparecer quando ninguém mais me espera.
E, antes mesmo de eu poder responder, ela sumiu. No lugar dela, apenas a borboleta de asas cor-de-rosa com lilás, novamente, pousada em meu ombro.

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''Decreta-se que nada será obrigado nem proibido, tudo será permitido, inclusive brincar com os rinocerontes e caminhar pelas tardes com uma imensa begônia na lapela. Só uma coisa fica proibida: amar sem amor.'' :)