Nó de nós.







Queria eu que não fosse tão complicado.  Que não fosse tão enrolado. Tão confuso. Tão nós dois.

Você chega com aquela vozinha mansa, me perguntando se pode entrar... E, droga eu que tinha prometido que não deixaria.

Mas eu abro a porta pra você ainda zonza. A madrugada é fria, e seu suéter me serve como um pijama.

E você me canta mais uma das suas músicas, e eu imagino uma vida inteira ouvindo sua voz fora do tom. Adormeço com seu pensamento, sorriso e voz na mente.

Mas, você saí de fininho, apaga a luz e tranca a porta. Deixa um bilhete na geladeira: Diz que vem me ver amanhã. Hoje não. Hoje tem que trabalhar.

Por que me faz e me desfaz com tanta facilidade?

E eu cheguei quase á dizer que gosto de você. Quase cheguei á dizer do tom da tua voz e do barato que eu acho esse nosso embaraço.

É confuso, eu sei. Mas, o que não é confuso sobre nós dois?

Eu reclamo da sua ausência. Você reclama da minha presença.
Eu reclamo do seu dia corrido. Você reclama que eu durmo demais.

E você me fala da sua teoria Maktub.

É. Estava escrito. Ou melhor, tinha que acontecer.

E tinha que ser assim.

Nós dois enrolados entre edredons. Nós dois presos em nos cegos de nós mesmos.

Como paz e guerra.

Como água e fogo.

Céu e inferno.

Yin e Yang.

Luz e escuridão.

Atividade e absorção.



E eu decido nunca mais abrir a porta pra você.


Ponho o suéter, apago a luz e tranco a porta.

Você me aparece. Digo que não pode entrar.

Você diz que a madrugada é fria. E que dessa vez quer mudar.

Não acredito nos seus olhos, mas sua voz mansa e fora do tom me convence.

Você respira perto da minha nuca, com seu cheiro amadeirado e sussura:

- Posso entrar?

E me entrelaço á você como um nó.

Nó de nós dois.

E eu, enfim, disse que gosto de você.

E que eu acho um barato o nosso embaraço.

Assim, adormeço mais uma vez ouvindo tuas músicas fora do tom.

Confuso. Mas, nós dois.

Nó.
Nós.

Mais do que nunca o nó cego é nosso. E somos mais uma vez só nos dois.

Yin&Yang.
  
E agora nosso nó de dois se transformou em um só.

Dois que se transformam só um, no nosso edredom.

Afinal, estava escrito. Ou melhor: Tinha que acontecer.






Ps: Texto mais confuso que eu já fiz. Não sei, ficou muito confuso. Mas sei lá..



 





 













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''Decreta-se que nada será obrigado nem proibido, tudo será permitido, inclusive brincar com os rinocerontes e caminhar pelas tardes com uma imensa begônia na lapela. Só uma coisa fica proibida: amar sem amor.'' :)