Você me fez voltar a sonhar. Eu sei que é clichê, e que você já deve estar cansado de ouvir o quanto eu gosto de você, mas me escuta só mais um pouquinho, por favor.
Não sou boa com cartas explícitas de amor, sempre fui melhor em deixar tudo nas entrelinhas. Mas, atualmente você me fez perder o medo. E é por isso que estou aqui.
Eu lembro que antes de você aparecer estava tudo tão confuso, meio preto e branco... E mesmo sem você saber, você aqui respondeu tanta coisa na minha vida.
Eu queria fazer uma poesia pra você, uma música, qualquer coisa bonitinha que te fizesse aquecer o coração, mas eu não sou boa nisso quando o assunto é você.
Você é quem me tira meu sorriso mais sincero, do nada, numa tarde de segunda-feira. Você é quem me faz me sentir acolhida com cada verso. O som da sua voz é tão calmo, que meu corpo simplesmente se sente em casa.
E é isso que você é pra mim: Uma casa, um cantinho confortável onde eu me sinto segura em ser eu mesma. E, que por mais estranha que eu pareça ser as vezes, você aceita, e, surpreendentemente até gosta.
Eu tenho medo de dizer o quanto gosto de você e te assustar. Mas, no fundo, você sabe.
Desculpa se esse não é o meu melhor texto. Eu prometo que você ainda vai virar poesia, poema, quiçá talvez até uma música.
Mas, hoje, agora é só pra te agradecer. Você despertou meus sonhos, e, me fez sentir o que eu achava que nem era possível.
Eu sei, você já deve tá cansado de saber, mas só queria terminar dizendo que amo você.
Querida garotinha, daqui onde estou consigo ouvir seu choro abafado pelo travesseiro, consigo sentir seu grito preso na garganta e até mesmo sua voz embargada pedindo para que toda essa dor vá embora.
Consigo ver seus olhos que sempre foram tão brilhantes, tão vazios, vermelhos, com tantas olheiras. Quanto tempo você não dorme sem aqueles remédios?
Você não come á dias, talvez até meses. Está fraca, cansada, só quer que chegue a noite para chorar em paz. Finge que não vê os olhares de piedade das pessoas por onde passa, mas, quando eles vem com um abraço e uma palavra amiga, você não tem vergonha de desmanchar seja lá onde for: Faculdade, shopping, metrô, portão de casa.
Por falar em portão de casa, eu vi aquele dia em que você teve uma crise de pânico só de pensar em sair de casa. O ar faltou, a vista escureceu, mil coisas passaram na sua mente, enquanto você sentia suas mãos e pés suarem e formigarem sem nenhum controle. Você passou por esse momento sozinha, poucos minutos antes de entrar num carro para ir ali, na casa de uma amiga. É que a idéia de sair de casa sem ser com aquela companhia ainda te assustava tanto, né? Eu sei, eu vi. De pertinho.
Eu estava com você naquelas madrugadas de choro, meditação e poesias melancólicas. Aquelas noites em que seu coração pesava tanto que te sufocava, faltava o ar.
Eu ouvi milhares de vezes quando você contava repetidamente a história para as pessoas ao seu redor que não entendiam muito bem. “Ué, como assim acabou?”, e eu sentia junto com você seu coração se partir em milhares de pedacinhos quando você explicava tudo de novo, e de novo, e de novo...
Fui eu quem te dei colo naquela noite que você deu PT numa festa de carnaval qualquer, porque sentir o gosto do álcool em sua boca era melhor do que sentir qualquer gosto que poderia te lembrar dele.
Também fui eu que estive com você, aquela tarde que você sentou e chorou na calçada da rua em frente á sua loja preferida de maquiagens, sendo consolada por sua melhor amiga, simplesmente porque ele te bloqueou do nada.
Eu estive com você nas noites que você stalkeou tudo que pudesse para tentar achar uma resposta.
Quando você deixou seu orgulho de lado para mandar uma mensagem que nunca foi respondida...Ou melhor, só foi respondida meses depois, quando a resposta nem era mais esperada.
É, minha garotinha. Eu vi você se entregar pra pessoas tão vazias, acreditar amar pessoas tão vagas, só pra preencher algo que você jurava que nunca mais conseguiria sentir de novo.
Mas eu vi também sua força. Vi ás vezes em que você se negou a procurar, mesmo com toda a dor.
Vi como você nunca negou o quanto doia. Não escondeu. Vomitou toda a dor pra fora, pra quem quisesse ouvir, até desintoxicar todo aquele sentimento de dentro de você.
Eu vi seu olho voltar a brilhar com músicas que te faziam mal, mas, que agora, finalmente você ouvia com o coração em paz.
Eu vi quando você finalmente foi dormir sem precisar tomar remédios ou fazer lista de milhares de coisas que te fizessem evitar pensar. Por que tanto faz se pensar ou não, no fundo aquilo nem doia tanto assim.
Eu vi quando você beijou outra pessoa, não pra preencher qualquer falta dele, mas porque você quis finalmente sentir outros gostos.
Eu vi quando o álcool deixou de ser uma válvula de escape para se tornar um momento de descontração e risos com sua amiga.
Eu vi quando o assunto passado com suas amigas foi diminuindo tanto que um dia ele simplesmente morreu.
Ah, como eu fiquei feliz em te ver com aquele olhar de felicidade em planejar aquele sonho que você tinha abandonado. Quando as luzes daquela cidade voltaram a iluminar seu rosto ou quando finalmente suas poesias ganharam um novo tom.
Mas, principalmente, eu vi quando seu coração ficou quentinho de novo. Um novo porto – talvez nem tão novo assim – pro seu barquinho. Eu vi seu olho brilhar, sua mão suar e você ficar igual boba por aí. Você descobrir que, pode, sim, amar novamente. Milhares e milhares de vezes.
Eu acompanhei cada parte dessa estrada, querida garotinha. E eu sei que foi difícil. Afinal, eu estive com você em cada fase, e, não foi a toa.
Você sou eu. E, hoje, essa lágrima que sai dos nossos olhos, é apenas de gratidão. A gente sobreviveu. Mais uma vez.
A vida toda cresci ouvindo milhares de definições diferentes sobre o amor ou o que é ou não esse tal sentimento. Como a garota romântica e clichê que sempre fui - embora, ás vezes presa numa armadura -, sempre quis entender, sentir e até mesmo, tocar um pouco mais disso tudo que sempre ouvi.
Escutei diversas músicas, assisti um montão de filme e perdi a conta de quantos livros e poesias eu sai lendo por aí. Nunca me convenci de uma coisa só. Teimosa desde sempre, resolvi criar minha própria definição. E hoje, em uma palavra, eu definiria o amor como liberdade.
Amar, pra mim, é sobre ser livre. Ser livre pra ser quem é, porque no fundo, você sabe que seu jeitinho será abraçado e amado por alguém um dia. E é também sobre a liberdade de que, mesmo se esse alguém nunca aparecer, você tem a liberdade do amor próprio.
É sobre ser livre pra assumir que gosta daqueles filmes de adolescente, que é fã do Luan Santana e que dorme de moletom e meia, afinal, tudo isso são apenas conjuntos de todo o universo cheio de amor que você é. É ser livre pra entender que esse universo é imenso, e, que, tá tudo bem ser meio esquisito, ter o sotaque estranho ou ter mil e uma teorias sobre dinossauros. Alguém ainda pode se apaixonar por esse ser cósmico, torto e um pouco bizarro que é você. Ou melhor, que sou eu.
É sobre ser livre pra escolher qual abraço te aconchega a alma e dá o quentinho no coração, mesmo que não faça sentido pra mais ninguém. Se faz pra você, tá tudo bem.
Amar é sobre a liberdade de estar com alguém. Não por obrigação ou porque você não pode sair dali. É sobre escolher estar ali escondendo-se do relógio e da pressa do mundo. É a liberdade de saber que você poderia estar em qualquer lugar naquela madrugada mas que nenhum lugar é melhor do que onde a gente se sente lar.
Amar é sobre a liberdade de tornar nosso corpo e coração a casa de alguém. É sobre limpar as coisas que ficaram espalhadas no caminho, jogar no lixo o que não deu certo, e, querer tentar novamente. Pois apesar de toda a bagunça, agora, você têm uma casa quentinha nos seus dias de chuva.
Amar é sobre ser livre pra poder limpar o céu nublado de alguém mesmo que o seu esteja caindo um temporal. Sobre ser tão livre que você escolhe cuidar daquele ser que te entregou o coração e dividiu suas tempestades com você. É sobre saber que, quando o arco-íris chegar naquele olhar novamente o brilho das cores dele vão refletir em você e acalmar até mesmo o que você nem achava que era possível.
Por essa, e, tantas outras coisas, que, hoje, eu continuo, sim, ouvindo músicas, assistindo meus filmes clichês e ouvindo Luan por aí. E, ainda assim, hoje, quando me perguntam o que acho sobre o amor, reconheço que sim, conheço pouco, mantenho um pouco a armadura. Afinal, o amor ainda é sobre ser livre pra respeitar os traumas, medos e inseguranças do outro. E acolhe-los como se fossem seus.
Mas, acima de tudo, sempre levarei comigo que o amor também é sobre liberdade. Coisa rara nos mundos de hoje. É sobre a liberdade de ser corajoso, de ser autêntico, é sobre a liberdade de poder abraçar uma galáxia inteirinha e mesmo assim, entender que vocês ainda são dois mundos.
Mas, dois mundos que, apesar de tudo, escolhem serem livres juntos.